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Reportagem denuncia casos de tortura, agressões e assassinato em comunidades terapêuticas

Foto: Reprodução/TV Globo 


Comunidades terapêuticas são locais que, em teoria, deveriam auxiliar no acolhimento de dependentes químicos No entanto, como revelou o "Fantástico" nesse domingo (26), alguns estabelecimentos da Grande São Paulo estão envolvidos em denúncias de tortura, de agressões e até mesmo de assassinato.

O que deveriam ser casas de apoio, são, na verdade, equipamentos semelhantes ou piores que aos antigos manicômios e sanatórios — proibidos por lei desde 2001. Muitas delas nem mesmo são regularizadas.

Nas imagens divulgadas pela reportagem, é possível observar um paciente de uma das unidades da Comunidade Terapêutica Kairós, com mãos e pernas amarrados, sendo espancado por grupo de pessoas, que desfere socos, chutes e pauladas, enquanto é atacado por um cachorro — incitado por alguns dos agressores. A vítima seria um comerciante de 42 anos que faz uso abusivo de álcool. Ele é arrastado pelas pessoas até ao local.

Outra paciente de uma das unidades femininas da mesma rede, localizada em Juquitiba, contou ao "Fantástico" sobre os momentos vividos no local.

Eu estava com dependência de medicação, e a minha prima procurou uma pela internet, porque a Kairós é realmente muito bonita pelas fotos”, relatou a mulher, que não quis se identificar.

Entre dezembro de 2022 e março deste ano, ela ficou internada na comunidade contra a própria vontade. “Do portão para dentro, as coisas mudam. Lá é um sistema de cadeia”, relembra.

Alguns desses equipamentos terapêuticos são entidades privadas que, muitas vezes, cobram pelo serviço de acolhimento aos dependentes.

Na unidade onde foi enclausurada, a mulher contou que havia um sistema de castigos. Um deles era o local conhecido como "buraco", que servia para "deixar as meninas de castigo". Outro método seria o chamado "parede", em que os pacientes são obrigados a ficar "o tempo todo olhando para a parede", segundo relatou ao "Fantástico".

Além das violências físicas, os internos ainda são submetidos a abusos psicológicos constantes, conforme a antiga paciente. “Dentro da Kairós, ou você entra no sistema, ou você vai tomar gogó”. O “gogó”, segundo explica a reportagem, é um golpe conhecido com mata-leão.

“Geralmente, eles [os gogós] são dados na frente de todo mundo, que é para todo mundo ver. A gente não sente dor por que apaga”, detalhou.

A Kairós feminina, onde a mulher diz terem sido agredida, segue aberta, em processo de regularização. A dona do local se recusou a se posicionar. Já em relação ao espancamento do comerciante, o advogado do dono da mesma rede declarou que os envolvidos foram identificados, demitidos e os nomes deles repassados para as autoridades.



Fonte: Diário do Nordeste 

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