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Agricultor e cineasta autodidata, Josafá Duarte tem trajetória homenageada no Cine Ceará

Foto: divulgação


Cineasta autodidata, militante social e agricultor, Josafá Duarte é agitador de uma intensa produção audiovisual independente e coletiva em Forquilha, a 208 km de Fortaleza. Definindo o cinema produzido na região como “sertanejo” — por ser, “acima de tudo, um forte” — e “instrumento de libertação eleitoral”, o forquilhense será homenageado no 33º Cine Ceará pela atuação de importância artística e política.

A trajetória oficial da produção cinematográfica capitaneada pelo diretor e produtor começou em 2006, com o filme “A história de um galo assado”. Já a simbólica, marcada pela aproximação inicial entre o menino Josafá e o cinema, soma quase 50 anos, como ele lembra em entrevista ao Verso.

Nascido em 1960 em Forquilha, à época ainda distrito de Sobral, ele se mudou com a família para a sede do município em 1969. “Na minha infância, não tive contato (com arte) porque era difícil. Nos mudamos e lembro que, com 14 anos, eu trabalhava no mercado vendendo fruta e sempre guardava algum dinheiro para assistir filme no Cine Alvorada. Era sagrado. Me encantava”, recupera em entrevista ao Verso.

O verbo “encantar” surge no discurso de Josafá também ao narrar memórias de outra descoberta: os primeiros contatos com movimentos sociais. Estes ocorreram mais tarde, entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, quando ele e a família se mudaram para Fortaleza.

Na Capital, já jovem adulto, rapidamente se envolveu com associações e comunidades. “Comecei a conhecer e ver as questões dos movimentos sociais, fui começando a me encantar com aquilo, a participar das reuniões. Assim, descobri que queria também fazer parte desse movimento, lutar por essas causas sociais”, relembra.

Da atuação em defesa do direito à habitação na Parangaba ao ingresso no Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) para lutar pela reforma agrária, Josafá se fundou e firmou como militante social.

INÍCIO DA PRODUÇÃO

A união entre as frentes da produção audiovisual e da militância, enfim, se concretizou de fato nos anos 2000, quando voltou a morar em Forquilha. “A questão do cinema foi política”, atesta. “Minha comunidade, o distrito de Salgado dos Mendes, é rural, pequena, muito explorada politicamente. Meu objetivo era tentar mostrar à comunidade como funciona a política”, explica.


Fonte: Diário do Nordeste

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